
A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) divulgou nesta semana os primeiros efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos nas exportações baianas. Os dados apontam quedas significativas, especialmente em setores estratégicos. Entre os produtos sobretaxados, as vendas para o mercado norte-americano recuaram 42,8%.
Segundo Marcus Verhine, gerente executivo de Desenvolvimento Industrial da FIEB, empresas que adaptaram sua produção ao mercado dos EUA foram as mais prejudicadas. “Não é simples redirecionar esses produtos para outros mercados, já que muitos têm especificidades próprias do mercado norte-americano”, explicou.
Na comparação entre julho e agosto de 2025, as exportações totais da Bahia caíram 19,4%, passando de US$ 934,6 milhões para US$ 753,7 milhões. Em relação a agosto de 2024, a retração foi de 35,7%. Os itens mais atingidos incluem manteiga de cacau, celulose, magnésia calcinada, ferroligas e calçados. Em alguns casos, como o butadieno não saturado e o ferrosilício, as exportações foram totalmente interrompidas.
Apesar do cenário negativo, produtos como mangas e pneus para ônibus registraram aumento nas exportações, movimento que a FIEB atribui à antecipação de embarques antes do início da vigência das tarifas, em 6 de agosto. O crescimento também foi puxado por itens isentos da sobretaxa, cujas vendas mais do que dobraram.
Para Verhine, o diálogo com os EUA é fundamental para mitigar os efeitos. Ele também defende medidas de apoio estaduais e federais, como linhas de crédito, postergação de impostos e compras públicas emergenciais. “Redirecionar as exportações é possível, mas não acontece da noite para o dia. É preciso planejamento e adaptação”, ressaltou.
