
A celebração dos 202 anos da Independência do Brasil na Bahia teve início oficial, na manhã desta terça-feira (1º), com a tradicional cerimônia do Te Deum, realizada na Catedral Basílica, no Centro Histórico de Salvador. Presidido pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, cardeal Dom Sergio da Rocha, o ato religioso é uma das principais solenidades que integram o calendário oficial do 2 de Julho, data magna para os baianos. Com o tema “Eu sou o 2 de Julho”, as comemorações deste ano ressaltam o papel do povo baiano na consolidação da independência brasileira.
A cerimônia contou com a presença de autoridades civis e militares, representantes da cultura popular e religiosos, além de uma expressiva participação popular. O evento reforçou o simbolismo da data, que marca o fim do domínio português no Brasil com a vitória das tropas baianas sobre os portugueses, em 1823, um ano após a proclamação da Independência no Sudeste.
Religiosidade e patriotismo unidos no mesmo altar
Durante a homilia, Dom Sergio da Rocha destacou o significado do Te Deum — expressão latina que significa “A Ti, ó Deus” — como um momento de louvor, agradecimento e reflexão. “Esta é uma data de rara beleza artística, histórica e religiosa. Louvamos a Deus pela Independência da Bahia, mas também renovamos o nosso compromisso com a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e pacífica”, afirmou o cardeal.
O religioso ressaltou que a celebração é também uma forma de reconhecer a importância de quem lutou, muitas vezes anonimamente, pela liberdade do Brasil.
“Nos alegramos com a presença dos Caboclos de Itaparica e dos representantes das Forças Armadas. Eles representam aqueles que, no anonimato, deram suas vidas pela independência”, declarou.
Celebração tradicional reforça o legado histórico
Presente na cerimônia, representando a Prefeitura de Salvador, o presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, destacou o valor simbólico e educativo do Te Deum.
“É uma celebração tradicional que une fé e civismo, marcando a abertura oficial do 2 de Julho. Este ano, temos uma catedral lotada, com grande participação das Forças Armadas, dos povos originários e da população”, afirmou.
Entre os presentes estava Hildo Peixoto, caboclo mestre da tribo Guaranis de Itaparica, que participa da cerimônia há mais de 60 anos. Segundo ele, a presença indígena nas celebrações é uma reafirmação do papel dos povos originários na resistência à invasão portuguesa.
“Enquanto eu tiver vida e saúde, estarei aqui lembrando que os indígenas também lutaram e continuam resistindo”, afirmou.
Programação segue com cerimônias cívicas e atrações culturais
A agenda desta terça-feira continua com a cerimônia de chegada do Fogo Simbólico, às 16h, no Largo de Pirajá. Autoridades devem hastear as bandeiras, acender a pira e depositar flores no túmulo do general Labatut. O Hino Nacional será executado pela Banda de Música da Polícia Militar da Bahia. O encerramento das atividades do dia será com o show do grupo Cortejo Afro, no mesmo local.
As celebrações do 2 de Julho continuam ao longo da semana com apresentações musicais, cortejos, homenagens e atividades cívico-culturais por toda a cidade.
