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Por que pequenos negócios quebram mesmo cheios? Advogado explica

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Mesmo com movimento constante e casa cheia, pequenos negócios fecham as portas por falhas de gestão que poderiam ser evitadas. Foi o que explicou o advogado trabalhista Gustavo Góis, em entrevista ao Portal Esfera no Rádio, apresentado por Luis Ganem, na Rádio Itapoan FM (97,5) ao analisar os principais erros cometidos por micro e pequenos empreendedores.

Segundo o especialista, um dos problemas mais comuns está na tentativa de economizar em pontos considerados básicos, como a formalização do negócio e o pagamento de contribuições obrigatórias.

“Tem economia que é boba. Às vezes você deixa de pagar R$ 70 ou R$ 80 por mês e perde benefícios importantes, como a possibilidade de acessar o INSS em caso de acidente ou até uma aposentadoria no futuro”, afirmou.

Na avaliação de Góis, a informalidade ainda é um dos maiores entraves para a sustentabilidade dos negócios no Brasil. Para ele, muitos empreendedores deixam de buscar informação e acabam expostos a riscos que podem comprometer toda a operação.

“O principal erro é não querer se regularizar e não buscar orientação. Hoje é fácil acessar informação, mas é preciso filtrar e procurar fontes confiáveis”, disse.

Descumprimento de obrigações

Outro ponto crítico destacado pelo advogado envolve o descumprimento de obrigações trabalhistas, especialmente o atraso no pagamento de salários e verbas rescisórias. De acordo com ele, esse tipo de falha pode gerar um efeito em cadeia dentro da empresa.

“Se você não paga no prazo, o funcionário pode entrar com ação na Justiça e pedir a rescisão indireta. Ele para de trabalhar e você ainda tem que pagar tudo de uma vez”, explicou.

O impacto, segundo Góis, vai além da questão jurídica e atinge diretamente o funcionamento do negócio.

“Imagine perder dois ou três funcionários ao mesmo tempo. O atendimento piora, o cliente percebe, começa a reclamar e você perde faturamento. Isso desestabiliza completamente o fluxo de caixa”, pontuou.

Ele também alertou para as penalidades previstas na legislação trabalhista.

 “Além de pagar as verbas, o empresário pode sofrer multas, como a do artigo 467, que aumenta em 50% os valores devidos se não forem quitados na primeira oportunidade”.

Para o advogado, casos recentes de estabelecimentos que fecharam, mesmo com boa movimentação aparente, mostram como problemas internos podem ser determinantes. “Às vezes, quem está de fora acha que o negócio está saudável, mas pequenas falhas de gestão se tornam uma bola de neve. Quando você percebe, a única saída é fechar”, concluiu.