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Música ‘II Encontro de Choro da Ufba’ e Varanda do Sesi celebram o dia nacional do gênero musical com várias atividades

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Nesta terça, 23 de abril, se comemora o Dia Nacional do Choro – e, este ano, a data ganha um significado especial: em 2024, o choro foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em Salvador, onde floresce uma rica cena de choro, músicos, produtores e estudiosos se mobilizam, com programações dedicadas a valorizar e difundir o gênero, reunindo artistas veteranos e novas gerações.

Entre os eventos, está o II Encontro de Choro da Ufba, que começou ontem e vai até domingo (26) na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia (Ufba), com rodas de conversa, oficinas, mostra de compositores e recitais.

Para Joel Barbosa, professor da Escola de Música e um dos organizadores do encontro, o reconhecimento do choro como patrimônio é um passo importante para fortalecer a cena local. “Como a Bahia tem tido chorões e choronas de excelência, mas que muitas vezes se mudaram para o Rio ou São Paulo por falta de retorno financeiro, espero que o reconhecimento possa aumentar as atividades profissionais no Estado. Além disso, estudar o choro é também compreender a história do Brasil e do povo a que pertencemos. Isso expande a consciência de brasilidade”, afirma Joel.

A programação traz ainda rodas de conversa sobre a presença negra e feminina no choro, temas historicamente pouco explorados. Para Joel, esse debate é fundamental.

“Apesar da presença negra e da mulher estar diretamente ligada ao choro desde os primórdios, pouco se tem estudado sobre isso. Esperamos que o Encontro possa fortalecer essa discussão e abrir mais espaços”, afirma.

Outro espaço que tem comemorado o “mês do Choro” é o projeto Segundas do Chorinho, que preparou uma programação especial em homenagem ao Dia Nacional do Choro, com shows e rodas que exploram desde releituras contemporâneas até clássicos consagrados.

Nesta terça, a celebração fica por conta dos instrumentistas Peu Souza (bandolim) e Estevam Dantas (piano) e conta com a participação especial do maestro Fred Dantas ao trombone.

Além disso, também haverá uma roda de choro, onde músicos espontâneos são convidados a subir ao palco. A última Segunda do Chorinho (28) deste mês, vai ser encerrada com o Trio Alcateia, com Jéssica Albuquerque no contrabaixo e os flautistas Leandro Tigrão e Murilo Tigrinho.

Para Augusto Hessel, um dos idealizadores do projeto, manter viva a tradição do choro é também preservar a história da música brasileira. “O Segundas do Chorinho é um espaço onde a gente consegue unir o público fiel, músicos experientes e novos talentos. E abril é um mês que reforça a importância de se manter essa chama acesa, de mostrar que o choro é vivo, pulsante e diverso”, comenta.

O remédio é chorar

O choro é considerado o primeiro gênero musical urbano brasileiro. Ao misturar influências das polcas europeias, das modinhas e dos lundus africanos, o estilo se consolidou como símbolo da musicalidade brasileira. Nomes como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo e Ernesto Nazareth ajudaram a popularizar e sofisticar o gênero ao longo do século XX.

Para o instrumentista, pesquisador e compositor Caio Brandão, que vai participar da programação de choro da Escola de Música da UFBA, o gênero carrega desde suas origens essa vocação de mistura e experimentação, algo que ele busca trazer em sua trajetória como artista.

“O choro é uma mistura de ritmos, danças e culturas. Dentro da minha trajetória, essas experiências sonoras trazem referências — tanto dos precursores do choro quanto de músicos contemporâneos. O meu repertório vai dessa diversidade, de Chiquinha Gonzaga a Chico Buarque, passando por composições autorais e de artistas da nossa terra”, explica o músico.

Se a história do choro costuma ser atribuída majoritariamente ao Rio de Janeiro, a Bahia desempenha um papel fundamental na gênese desse encontro cultural.

Segundo Caio, “o papel da Bahia é trazer esse berço desse encontro histórico, porque o choro acontece em diversos lugares ao mesmo tempo. Ele é legitimado ali no Rio, mas temos na Bahia esse conglomerado cultural trazido pelas tias baianas quando foram para o Rio de Janeiro. João da Baiana, Donga, e outros grandes nomes”, lembra.

Tradição e inovação

O choro é um gênero que segue atravessando gerações e ressignificando suas formas. Para o flautista Leandro Tigrão, integrante do Trio Alcateia, o gênero vive atualmente uma das melhores fases. “Cursos de choro estão surgindo, e isso é um caminho importantíssimo. A melodia do choro alfabetiza um músico. Quanto mais a gente levar isso para escolas, mais consegue manter o gênero vivo, lembrando dos mestres, mas também levando pra frente”, comentou.

Tigrão integra o Trio Alcateia, ao lado de Jéssica Albuquerque no contrabaixo e Murilo Tigrinho, também flautista. Segundo ele, eles trazem a proposta de ampliar as possibilidades sonoras e incorporar suas diferentes formações musicais, que incluem a música clássica.

“O choro e a música clássica se confluem. Os dois carregam a técnica, a sonoridade, o fraseado e a interpretação. Quando escrevo, minha música revela isso: estrutura clássica e a leveza, o swing e a brincadeira do choro”, observa.

Quem também se apresenta no Segundas de Chorinho é o pianista Estevam Dantas ao lado de Peu Souza no Bandolim. A dupla vai tocar um repertório que passeia por clássicos e composições autorais.