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Matrículas com Fies e Prouni sobem, mas seguem abaixo de níveis históricos

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O número de alunos ingressantes no ensino superior com bolsas do Prouni ou financiados pelo Fies aumentou no ano passado em comparação com 2024. Apesar disso, os indicadores dos programas sociais não alcançaram os patamares dos melhores anos.

O que aconteceu

Em 2025, 74,2% das bolsas integrais dos cursos presenciais foram preenchidas contra 70,9% em 2024. Apesar do crescimento, o número de bolsas preenchidas está distante dos níveis registrados em 2017, quando 93,7% das vagas oferecidas no programa foram ocupadas.

De 2018 a 2021, o número de ingressantes no Prouni diminuiu chegando em 59,5% em 2022. Apenas em 2023, o programa ganhou um fôlego e começou a aumentar as matrículas preenchidas. Os dados fazem parte do Mapa do Ensino Superior do Brasil 2026, divulgado hoje pelo Instituto Semesp, entidade que reúne mantenedoras de ensino superior no país.

Programas podem melhorar, apesar da falta de recursos e problemas fiscais, afirma especialista. Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, ressalta que é 90% dos alunos do ensino superior tem até três salários mínimo de renda familiar e não têm como pagar mensalidade —já que 88% das instituições são privadas.

Apesar disso, a oferta de bolsas do Prouni foi uma das maiores em 2025. No ano passado foram cerca de 550 mil bolsas parciais e integrais do programa federal. Em 2015, um dos melhores períodos do Prouni, 337 mil vagas ficaram disponíveis, segundo dados apresentados pelo estudo.

O Prouni foi criado em 2005 e oferta bolsas de 50% e 100% em instituições privadas. Para participar, o candidato deve ter feito o ensino médio em escola pública ou ter recebido bolsa no colégio particular, além de comprovar renda familiar de até 1,5 salário-mínimo no caso das bolsas integrais.

O cenário do Fies repete a mesma tendência. Em 2015, o programa de financiamento estudantil chegou a 288 mil contratos, já no ano passado, foram 53 mil —um aumento em comparação com 2024, que registrou 44 mil. No caso do Fies, o governo federal paga as mensalidades para as universidades e, ao final do curso, o estudante paga o financiamento.

Em 2024, o programa de financiamento registrou 62% dos contratos com pagamentos atrasados. Nos últimos anos, os governos de Jair Bolsonaro (PL) e de Lula (PT) chegaram a lançar refinanciamentos para os estudantes e também perdão de 99% da dívida. Capelato afirma que o modelo de financiamento australiano é um sucesso. “Você atrela o pagamento a renda futura do aluno. Então, se ele gerou renda, você desconta, se não teve, não penaliza tornando o inadimplente”, explica.

Para o instituto, a “capacidade de impacto” dos programas “permanece limitada diante da retração histórica”. A entidade ressalta, no entanto, a importância de políticas públicas para democratização do ensino superior.

Cenário mais crítico em bolsas parciais e EAD

Nos cursos a distância, 70% das bolsas integrais ficaram ociosas no ano passado. Em 2024, 82% das vagas EAD do Prouni não foram preenchidas pelo país. Os números são o inverso de períodos como 2015, quando 83,6% das matrículas nessa modalidade estavam ocupadas.

O preenchimento das bolsas a distância tem diminuído desde 2017, quando 75,9% das vagas foram ocupadas. Os dados refletem o inverso da realidade EAD, já que houve uma explosão nos cursos a distância na rede privada —de 2018 a 2023 o crescimento de cursos desse segmento foi de 232%.

A oferta de bolsas parciais no presencial ou a distância tem perdido atratividade. Nessa modalidade, os estudantes precisam arcar com metade das mensalidades das instituições —o que, segundo especialistas, leva a um maior abandono ou até mesmo a entrada dos alunos.

Em 2025, apenas 15,5% das bolsas parciais foram preenchidas nos cursos presenciais. O número representa um aumento em comparação com 2022, quando 11,4% das vagas desse segmento receberam matrículas. A ociosidade é quase completa nas bolsas de 50% oferecidas para cursos a distância —em 2025 apenas 4,4% das vagas receberam alunos.