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Cuidados paliativos: tratamento ganha mais importância no fim de ano

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cuidado paliativo, nome dado às ações de cuidado que priorizam o bem-estar e qualidade de vida de pessoas e seus familiares que convivem com uma doença grave que limita ou ameaça a vida, ganha ainda mais importância com a chegada do fim de ano.

As tradicionais festas de Natal e Ano Novo, símbolos de empatia, boas energias e acolhimento familiar, reforçam a necessidade de cuidar do ente querido que enfrenta alguma condição de saúde que necessita de uma atenção especial. 

Para Yanne Amorim, diretora médica do Hospital Mont Serrat de Cuidados Paliativos, localizado em Salvador, o cuidado paliativo acolhe a vida em todas as suas fases e existe para aliviar o sofrimento, oferecer conforto e preservar a dignidade, mesmo quando a cura não é mais possível.

“No fim de ano, esse cuidado ganha um valor ainda maior. É um tempo de memórias, encontros e afetos. O paliativo ajuda a transformar esse período em um tempo possível de presença, de troca, de cuidado verdadeiro — onde a dor é aliviada e o amor pode permanecer em primeiro plano”, explica em entrevista ao Portal Esfera.

Leidiane Reis, viúva de Fabiano que passou por uma cirurgia na cabeça, e precisou posteriormente contar com os cuidados paliativos, afirma ao Portal Esfera que a prática foi essencial durante o momento delicado.

“Os cuidados paliativos são importantes porque trazem conforto, aliviam a dor e ajudam o paciente a passar por esse momento com mais qualidade de vida. Eles também apoiam a família emocionalmente”, garante ela.

Driblando o desconhecimento

Um dos grandes desafios para que pacientes tenham acesso á cuidados paliativos é a falta de conhecimento da existência desse tipo de tratamento e também a desinformação sobre o assunto, já que uma parte da população ainda acredita que os cuidados paliativos significam desistência.

A médica esclarece que a abordagem com as famílias, para iniciar o tratamento paliativo dos pacientes, começa na escuta. Segundo a profissional, a equipe busca entender o que a família vive, os medos e o que esperam. O cuidado paliativo precisa ser entendido como um amparo.

“Existe, sim, resistência [das famílias] — muitas vezes motivada pelo medo e pela associação do paliativo à ideia de ‘desistência’. Quando mostramos que ele é, na verdade, um cuidado ativo, que protege, alivia e acompanha, a resistência costuma se transformar em alívio e gratidão”, evidencia Amorim.

Reis conta que, após o início do tratamento, o marido teve mais conforto durante o pós-operatório.

“Percebi que o paciente ficou mais tranquilo, com menos dor e mais conforto. A rotina ficou mais leve e a família também se sentiu mais amparada”, diz ela.

Lidiane Reis detalhou ainda que os cuidados paliativos ajudou no fortalecimento da autoestima e a dar mais acolhimento em meio a um processo desafiador.

“Eles ajudam o paciente a manter a autonomia, o respeito e o conforto, mesmo numa fase difícil. A equipe trata tudo com muito cuidado, humanidade e sensibilidade”, relata.

O tabu sobre cuidados paliativos

A médica Yanna Amorim reafirma que o desconhecimento como um dos maiores desafios é para a democratização dos cuidados paliativos. Além disso, existe um “tabu” na sociedade, segundo ela, em relação a esse assunto. 

“O maior desafio ainda é o desconhecimento. Pouco se fala sobre o direito de não sofrer, de ser cuidado com respeito e de participar das decisões sobre a própria vida. Também enfrentamos desafios de acesso, formação de profissionais e mudança cultural. Falar sobre cuidado paliativo é falar sobre humanidade, sobre escolhas e sobre dignidade — temas que precisam ocupar mais espaço nas conversas, especialmente em uma sociedade que ainda tem medo de falar sobre o fim”, explica Amorim.

Leidiane, viúva de Fabiano, disse que durante o período de enfrentamento da doença já tinha ouvido falar sobre os cuidados paliativos, mas que não conhecia muito bem como funcionava. A informação chegou através de uma amiga que fazia parte de um grupo em comum:

“Suzan nossa amiga explicou a importância e mostrou que era uma opção para dar mais conforto nessa fase, e foi quando passamos por uma médica de São Paulo, Ana Paula. Foi quando percebemos que na fase que estava era importante levar o paciente.”

Cuidados paliativos em Salvador

Na capital baiana, o Hospital Mont Serrat é o primeiro hospital público totalmente focado em cuidados paliativos no país. Inaugurado em janeiro deste ano e gerido pelas Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), a unidade já soma mais de 1.600 pacientes atendidos. 

Ao todo, a unidade reúne 70 leitos clínicos de enfermaria (7 pediátricas e 63 para adultos), distribuídos em uma infraestrutura com ambulatórios, serviços de bioimagem, laboratório, telemedicina e suporte de ensino e pesquisa para capacitação dos profissionais internos e externos das unidades de saúde.

O hospital possui capacidade para atendimento mensal de mais de 2 mil pacientes e interconsultas em diversas especialidades para pacientes internados, como cardiologia, anestesianeurologiapsiquiatria e pneumologia, bem como unidades específicas para terapia da dor e apoio ao luto.

A unidade conta também uma equipe multidisciplinar, reunindo médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos e bioquímicos, responsáveis pelo tratamento dos pacientes.

O Mont Serrat tem uma média de ocupação de 89% e uma média de permanência de 10 dias. A taxa de alta se concentra em 29%. As principais causas da internação para cuidados paliativos são referentes à doenças neurodegenerativas, neurovasculares, respiratórias, cardíacas e câncer.