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Cigarro eletrônico pode causar câncer, aponta revisão com mais de 100 estudos

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Uma revisão que reuniu mais de 100 estudos científicos indica que o uso do cigarro eletrônico com nicotina pode estar associado ao desenvolvimento de câncer de pulmão e de boca. O material publicado na revista científica Carcinogenesis, na segunda-feira (30), analisou pesquisas feitas desde 2017 com humanos, animais e testes em laboratório.

Os pesquisadores avaliaram apenas os efeitos do cigarro eletrônico, sem comparar com o cigarro tradicional ou com pessoas que usam os dois produtos. A ideia foi entender, de forma isolada, quais impactos esses dispositivos podem causar no organismo.

Entre os resultados, estudos com humanos apontaram sinais de danos no DNA, inflamação e estresse oxidativo — alterações que costumam estar relacionadas ao surgimento de câncer. Em animais, a exposição ao vapor levou ao aparecimento de tumores pulmonares. Já em laboratório, substâncias presentes nos líquidos dos dispositivos mostraram potencial para afetar células e favorecer processos ligados à formação de tumores.

Também foram citados relatos clínicos de usuários frequentes que desenvolvam câncer na boca, inclusive sem histórico de tabagismo tradicional ou infecções virais, fatores normalmente associados à doença.

Alerta para saúde pública

“Considerando todas as evidências disponíveis, é provável que o uso de cigarros eletrônicos esteja associado ao desenvolvimento de câncer”, afirma o pesquisador Bernard Stewart, um dos autores da análise, em comunicado.

Os autores destacam que ainda são necessários estudos de longo prazo para medir o risco com mais precisão. Mesmo assim, avaliam que as evidências atuais já justificam atenção das autoridades de saúde, principalmente diante do aumento do uso entre jovens e pessoas que nunca fumaram.