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PIB acima do esperado, dívida em alta: o balanço da gestão Haddad em 10 gráficos

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Fernando Haddad (PT) deixará o Ministério da Fazenda nesta sexta-feira (20) após um período em que a economia apresentou resultados melhores do que o esperado — com crescimento do PIB, inflação controlada e mercado de trabalho aquecido. Mesmo assim, a relação entre o ministro e o mercado financeiro continuou marcada por altos e baixos.

Pouco mais de três anos após assumir a pasta, economistas avaliam que Haddad não avançou em reformas importantes para melhorar a economia no longo prazo. O principal problema foi a dificuldade de controlar os gastos públicos, marcada por revisões e mudanças nas metas.

Nesta reportagem, veja o que os números da economia mostram sobre a passagem de Haddad pelo Ministério da Fazenda.

O calcanhar de Aquiles

Embora Haddad tenha conquistado parte do mercado financeiro no início do mandato — com um discurso focado em melhorar as contas públicas e controlar gastos — seus planos acabaram enfrentando resistências dentro do próprio governo.

Nos primeiros dias de governo, em 2023, Haddad chegou a afirmar que “não aceitaria” o déficit previsto para aquele ano e que trabalharia para reduzi-lo.

“Um dos méritos de Haddad é que ele sempre buscou dialogar com o mercado e com analistas, explicando a agenda econômica e os objetivos do governo”, afirma Alessandra Ribeiro, sócia e diretora de macroeconomia da Tendências Consultoria.

A aprovação do arcabouço fiscal, ainda em 2023, foi um passo importante para mostrar o compromisso do ministro com as contas públicas. Mas o resultado fiscal daquele ano — com déficit de R$ 249 bilhões — acabou pesando na avaliação do mercado.

Segundo o economista-chefe da Warren Investimentos e ex-secretário da Fazenda de São Paulo, Felipe Salto, embora Haddad tenha herdado despesas do governo Bolsonaro (PL) que precisaram ser pagas em 2023, o ministro também tem parte da responsabilidade pelo aumento dos gastos naquele ano.

“Ele manteve regras que aumentam despesas automaticamente e não discutiu mudanças em benefícios como aposentadorias, abono salarial, seguro-desemprego e BPC. Isso também aumentou a pressão sobre as contas públicas”, afirma Salto.

No ano seguinte, o déficit caiu para R$ 47,6 bilhões — uma redução de mais de 80% em relação a 2023. Mesmo assim, problemas no orçamento, dificuldade para cortar gastos e a autorização de despesas fora da meta fiscal voltaram a reduzir a confiança do mercado em Haddad.

Em abril de 2024, por exemplo, o governo propôs reduzir as metas de superávit primário para os anos seguintes no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Com isso, o superávit que era esperado para 2025 passou a ser previsto apenas para 2026.

A medida abriu espaço para aumento dos gastos públicos e foi duramente criticada pelo mercado financeiro.

“A mudança foi mal recebida pelo mercado, e com razão. Ela mudou o caminho esperado para as contas públicas e reacendeu a percepção de que o governo poderia recorrer a manobras contábeis para ajustar o resultado fiscal”, afirma Salto, da Warren.

Arrecadação em alta – e gastos também

Apesar dos esforços de Haddad para manter a confiança nas contas públicas, especialistas dizem que faltaram medidas concretas para cortar despesas.

O ministro fez uma nova tentativa de cortar gastos em novembro de 2024, ao anunciar um pacote de medidas que previa economizar R$ 70 bilhões em dois anos.

O gesto, porém, não foi suficiente para recuperar a confiança do mercado. Isso porque também foi anunciado, no mesmo dia, o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. A promessa de campanha de Lula foi vista imediatamente como um novo gasto.

“O governo também enfrentou dificuldades para reduzir gastos por causa do Congresso. Haddad tentou discutir várias propostas, mas muitas acabaram sendo enfraquecidas pelos próprios parlamentares”, diz André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica.

Entre as medidas que ajudaram a aumentar a arrecadação estão mudanças em impostos, como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a chamada “taxa das blusinhas”, que passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.