
Agentes do mercado financeiro estão em alerta nesta Super Quarta, diante da possibilidade de alta dos juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. As informações são do portal E-Investidor, do Estadão.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, realiza hoje sua primeira reunião após o envio da medida provisória que retira a isenção de impostos sobre fundos exclusivos. A mudança só deve entrar em vigor em 2026, mas já gera forte repercussão no mercado, sobretudo em meio ao aumento da percepção de risco fiscal e aos questionamentos sobre a autonomia do Banco Central.
Parte dos analistas já cogita que o Copom possa elevar a taxa Selic, atualmente em 10,50% ao ano, em 0,25 ponto percentual. Segundo dados da B3, há 42% de probabilidade de manutenção, 56,60% de chance de alta de 0,25 ponto percentual e 1,40% de possibilidade de aumento de 0,50 ponto.
“Apesar da inflação ter vindo abaixo do esperado no último mês, a forma como a proposta foi apresentada elevou a percepção de risco regulatório e fiscal, pressionando a curva de juros, o câmbio e os ativos domésticos”, explicou Eduardo Amorim, especialista de investimentos da Manchester, na reportagem.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, deve manter os juros no patamar atual, entre 5,25% e 5,50% ao ano, reforçando o compromisso no combate à inflação. A decisão, no entanto, deve pressionar a cotação do dólar e limitar o espaço para a flexibilização monetária no Brasil.
O professor da FIA Business School, Carlos Honorato, ressalta que essa dinâmica ocorre em razão do diferencial de juros entre as economias. Segundo ele, o Fed também sofre pressões diante dos rumos da política interna dos Estados Unidos.
“O problema é que o próprio Trump gera incertezas, principalmente com sua postura agressiva em relação às tarifas e às disputas geopolíticas. Isso eleva a tensão sobre as decisões do Fed, que, embora seja uma autoridade independente, acaba sendo impactado pelo ambiente político”, afirmou, segundo a reportagem. A moeda norte-americana abriu a semana em queda, negociada a R$ 5,50.
